Trilhas do PE de Vassununga seguem fechadas após presença de javaporcos

As trilhas do Mirante, Jequitibás e do Trilho do Trem, no Parque Estadual de Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro, estão fechadas desde 24 de maio, por tempo indeterminado, pela Fundação Florestal (FF). O motivo é o registro de javaporcos na área, incluindo locais de uso público. A medida tem por finalidade garantir a segurança de visitantes e funcionários, em vista da presença do animal.

Após avistamentos recorrentes de grupos de javaporcos no Parque, a Fundação Florestal, juntamente com técnicos do Departamento de Fauna, da Secretaria do Meio Ambiente (DeFau/SMA) e pesquisadores convidados, percorreram as trilhas e instalaram câmaras fotográficas para confirmar o registro da espécie e também os locais frequentados pelos animais. No momento, as equipes trabalham no planejamento de ações emergenciais de manejo que deverão ser implementadas em breve.

Os javaporcos colocam em risco a biodiversidade e os recursos naturais por onde passam. Em Vassununga já foram constatados danos a nascentes e riachos e à regeneração da vegetação nativa. Além disso, a presença destes animais tem potencial de afugentamento, competição e predação da fauna nativa.

De acordo com o gestor do Parque Estadual Vassununga, Fabrício Pinheiro da Cunha, o fechamento é uma medida de precaução temporária, porém necessária. O Centro de Visitantes e a administração do parque continuarão em funcionamento podendo receber grupos organizados e agendados, de segunda a sexta, das 8h às 17h.

Aos interessados por trilhas na região, a Fundação Florestal sugere como alternativa a utilização do Parque Estadual de Porto Ferreira, que possui bonitas trilhas, com a presença de expressiva população de Jequitibás-Rosa (Trilhas das Árvores Gigantes) e estrutura de visitação semelhante à de Vassununga. O telefone do PEPF é (19) 3581-2319.

O PE Vassununga preserva porções significativas de cerrado e floresta estacional semidecidual, incluindo a maior população de jequitibá-rosa do estado de São Paulo.  O Parque recebe aproximadamente 12 mil visitantes por ano, incluindo grupos de escolares em visitas monitoradas.

 

Animal exótico

Javaporco é o nome que se dá ao animal resultado do cruzamento do javali europeu (Sus scrofa) com o porco (Sus scrofa domesticus). Os javalis europeus foram importados do Canadá e da Europa por criadores de suínos no começo da década de 1990 para fins comerciais, por tratar-se de uma carne nobre e saborosa, semelhante à do nosso porco, porém com alto teor de proteínas e baixo índice de gordura. No entanto, o retorno do investimento não foi o esperado, em parte devido às dificuldades na engorda e abate dos javalis. A primeira tentativa dos produtores nacionais para salvar o rebanho de javalis foi promover o cruzamento com o porco nacional. O encontro resultou em um híbrido maior e mais agressivo, que ultrapassa facilmente os 100 quilos. O equívoco seguinte foi a decisão de abandonar o projeto e soltar os animais na natureza. Uma das principais características dessa espécie de suíno é sua capacidade de comer tudo que encontra em seu caminho, como são os animais onívoros. Por onde passam, o estrago é geral.

Soltos na mata e com uma alta taxa de fertilidade (cada fêmea pode gerar até dez filhotes por gestação), os javaporcos não encontraram predadores naturais, o que provocou sua multiplicação descontrolada. Os primeiros sinais de que havia problemas foram os registros de ataques a outros animais nativos e domésticos e destruição de plantações de pequenos produtores. A partir desse momento, os animais passaram a ser considerados ameaça ao homem. Em 2013, o Ibama declarou os javaporcos como “nocivos” e estabeleceu os parâmetros para controle.

 

Foto: Heverton José Ribeiros – Entrada da Trilha Interpretativa dos Jequitibás