Esse ó o primeiro reforço populacional de bugios na natureza em 2026 após vários anos de acompanhamento e cuidados
A Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), em parceria com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente da prefeitura da capital, órgãos ambientais e de saúde, realiza um reforço populacional com um casal de macacos-bugios ( Alouatta guariba clamitans ) e seu filhote, no Núcleo Pedra Grande do Parque Estadual da Cantareira, na zona norte da capital paulista.
A soltura representa um marco nos esforços de recuperação da espécie, fortemente impactada pelo surto de febre amarela silvestre que atingiu a região entre 2017 e 2018, matando diversos indivíduos. O casal veio de ambiente externo e retorna à natureza após três anos em observação no Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres (CeMaCAS), para onde são levados animais resgatados e reabilitados. O grupo é composto por um casal e um filhote.
“Essa ação é possível graças à preservação e ao cuidado constante da Fundação Florestal com as áreas protegidas”, explica Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da Fundação Florestal (FF). “É o que permite que eles tenham um lugar para o qual voltar”, completa.
O biólogo e gerente regional da Fundação Florestal, Josenei Cará, explica que o processo de soltura é delicado e imprevisível, não pode ter interferências externas. Segundo ele, os animais precisam sair de forma natural, geralmente motivados pela busca por alimento ou por necessidades fisiológicas.
“O grupo pode demorar para sair porque precisa reconhecer o ambiente e se habituar a ele. A presença do filhote também torna o casal mais cauteloso, já que a prioridade é garantir a segurança do filhote”, destaca.
A família de bugios já está totalmente reintegrada ao Parque Estadual da Cantareira. O reforço populacional é resultado de um processo criterioso que envolve análise do histórico dos animais, avaliação veterinária, três anos de observação em cativeiro, exames sanitários, acompanhamento comportamental e protocolos de biossegurança, garantindo que estejam vacinados e sem sequelas que comprometam a readaptação.
Ao longo dos últimos dois anos, desde o início do programa, já foram reintroduzidos 23 bugios na região. Após a soltura, os animais são acompanhados por pelo menos três anos por meio de colares de radiofrequência, que indicam a localização dos grupos, além do uso de drones térmicos, quando necessário.
“O bugio-ruivo desempenha um papel crucial como dispersor de sementes, contribuindo para a regeneração e diversidade das florestas. Ele também atua como bioindicador da qualidade ambiental, especialmente nos remanescentes da Mata Atlântica”, explica o biólogo e especialista em ecologia da Fundação Florestal, Edson Montilha.
Além disso, os bugios auxiliam no monitoramento do vírus da febre amarela, permitindo que medidas emergenciais de vigilância epidemiológica, manejo ambiental e proteção da saúde pública sejam adotadas de forma preventiva. No período pós-surto, a Fundação Florestal intensificou ações de monitoramento da fauna, capacitação de equipes para identificação e resposta rápida a novos casos da doença, além de apoio técnico a programas de manejo e conservação de primatas.




