Localizada no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), estudo pioneiro desenvolvido pela USP com apoio da Fundação Florestal abre possibilidade de futura reabertura da visitação

A Caverna Casa de Pedra, localizada no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), no Vale do Ribeira, abriga a maior abertura vertical de caverna do mundo. Inserida na Mata Atlântica, a imponente boca da caverna tem mais de 197 metros de altura — o equivalente a cinco Cristos Redentores empilhados. A informação oficial foi anunciada após a Universidade de São Paulo (USP) realizar a medição por drone utilizando líder 3D, que constatou a dimensão.

O estudo teve duração de mais de um ano e faz parte de um trabalho de pesquisa pioneiro desenvolvido pela USP, em parceria com a Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).

Além da medição da altura do pórtico da Casa de Pedra – que tem extensão interna de 2.930 metros – os pesquisadores também fizeram o monitoramento hidrológico do interior da caverna. O objetivo é compreender a dinâmica das águas que percorrem o local e oferecer subsídios técnicos para uma futura reabertura da visitação.

“O monitoramento da Casa de Pedra representa um marco para a conservação. Estamos construindo as bases junto com a ciência para que, no futuro, a visitação interna volte a ocorrer com segurança, trazendo benefícios para o turismo sustentável do Vale do Ribeira e fortalecendo a imagem do PETAR como patrimônio mundial da humanidade”, destaca Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da Fundação Florestal.

O interior da caverna está fechado para visitação desde 2003 após um acidente. Somente pesquisadores autorizados têm acesso. O projeto, coordenado pelo professor Nicolás Misailidis Strikis, do Instituto de Geociências da USP, instalou linígrafos pluviômetros – equipamentos que registram automaticamente os níveis de água e os volumes de chuva que alimentam o sistema. Os dados coletados permitem compreender como ocorrem as enchentes dentro da cavidade. A partir dessas informações, será possível criar protocolos de visitação segura.

A iniciativa só foi possível graças ao apoio da Fundação Florestal, que administra o PETAR e dá suporte às equipes de pesquisa. O órgão auxilia no acesso, na logística e no acompanhamento das atividades em campo, para que o trabalho siga de acordo com as diretrizes de conservação do parque.

“Com as medidas implementadas, podemos estudar a abertura do parque em algumas épocas específicas do ano, dentro de monitoramentos adequados para garantir a preservação da área e a segurança dos visitantes”, comenta Juliana Conrado, gestora do PETAR.

Inserida em uma área reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, o PETAR tem um conjunto de mais de 400 cavernas catalogadas e possui imenso valor geológico, ecológico e cultural, como um dos maiores patrimônios naturais da humanidade. A Fundação Florestal reforça o papel da ciência na proteção do patrimônio natural e atua diretamente na construção de caminhos para o turismo sustentável no Vale do Ribeira.