Decisão reforça proteção de área de Mata Atlântica de 10.870 hectares, essencial para a preservação das nascentes e cabeceiras do rio Cotia

Parque Estadual do Morro Grande: nova Unidade de Conservação gerida pela Fundação Florestal

A Reserva Florestal do Morro Grande, entre Cotia e Ibiúna, foi oficialmente transformada no Parque estadual Morro Grande, e passa a ser uma Unidade de Conservação de proteção integral e gerido pela Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, avançando na conservação com planos para turismo sustentável e trilhas.

O novo parque é cerca de 3 mil hectares maior que o Parque Estadual da Cantareira e tem grande riqueza de flora e fauna da Mata Atlântica. Ele protege as nascentes e cabeceiras do rio Cotia e de outros riachos que contribuem com os reservatórios Pedro Beicht e Cachoeira da Graça, integrantes do Sistema Produtor Cotia, responsável pelo abastecimento de água de alta qualidade para cerca de 400 mil pessoas da Região Metropolitana de São Paulo, reforçando a segurança hídrica em uma das regiões mais populosas do país.

“Atuamos de forma planejada e estratégica, aliando a preservação de nossa biodiversidade com o reforço da segurança hídrica do estado de São Paulo. Com a transformação do Morro Grande em Parque Estadual, conseguiremos reforçar a gestão integrada do território, ampliando a proteção integral da biodiversidade e conciliando com o uso público sustentável, a educação ambiental e a pesquisa científica”, explica a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.

Esse é o 37० parque estadual de São Paulo. Atualmente, as unidades de conservação administradas pela Fundação representam cerca de 20% do território paulista, reforçando o papel estratégico do Estado na preservação dos recursos naturais e na proteção dos mananciais.

“Essa é uma demanda histórica”, destaca o diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz. Na década de 1970, a sociedade civil, liderada por cientistas, ambientalistas e moradores locais — entre eles Aziz Ab’Saber, Paulo Nogueira-Neto, José Lutzemberger e Burle Marx — se mobilizou contra a instalação do aeroporto metropolitano na região de Caucaia do Alto, em Cotia. Essa mobilização impediu a destruição de uma das mais importantes áreas de Mata Atlântica do planalto paulista.

O Morro Grande é uma das florestas mais estudadas do estado e é referência no Programa BIOTA/FAPESP. Inventários científicos registram 260 espécies arbóreas, 198 aves — sendo 13 ameaçadas — dezenas de mamíferos e uma das maiores riquezas conhecidas de aranhas orbitelas da Mata Atlântica.