Ação visa preservar a espécie em perigo de extinção muito importante para a economia e cultura da região da Mata Atlântica
Nesta quarta-feira (25), ocorreu a 454ª reunião ordinária do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). sobre o Programa de Conservação da Araucária (Pró-Araucária), da Fundação Florestal. A sessão foi conduzida por Jônatas Trindade, subsecretário de Meio Ambiente da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), representando a secretária da Semil, Natália Resende.
A Fundação Florestal foi representada pelo diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz. O grande destaque foi a apresentação do “Pró-Araucária”, mostrado por Victoria Karvelis, diretora de Bioeconomia da Fundação Florestal. O programa é uma iniciativa do Governo de São Paulo em conciliar a preservação ambiental com o desenvolvimento econômico da região da Serra da Mantiqueira. Atua diretamente na conservação das Araucárias e incentiva a bioeconomia do pinhão, oferecendo pagamento por serviços ambientais aos produtores que protegem a espécie.
A Araucária (Araucaria angustifolia) é nativa da Mata Atlântica e considerada um “fóssil vivo”, por sua origem pré-histórica. A estimativa é que a espécie tenha surgido há 200 milhões de anos, no período Jurássico.
Trata-se de uma espécie fundamental tanto para o equilíbrio do ecossistema quanto para a história econômica da região. O pinhão (semente da araucária) é uma das principais fontes de energia para a fauna silvestre durante o inverno, assim como as suas copas em formato de “taça” que oferecem abrigo e locais de nidificação para diversas aves. Também ajudam a regular a umidade e a temperatura do solo sob a floresta.
A Araucária foi um dos pilares do desenvolvimento na região Sul e Sudeste do Brasil. Hoje, possui grande relevância econômica e cultural – sendo o pinhão uma fonte de alimento e renda para a região.
Perigo de extinção
Segundo Victoria, os remanescentes da floresta ombrófila mista (uma fitofissionomia da Mata Atlântica) não chegam a 3% de presença anterior. “Estudos indicam que até 2070 esse habitat poderá desaparecer totalmente, devido ao ritmo das mudanças climáticas”, explica.
As mudanças climáticas, além da exploração madeireira e a conversão do uso do solo são fatores que colaboram para a redução das espécies.
Hoje, a Araucária está listada – nos níveis internacional, federal e estadual -, como uma espécie em perigo de extinção. Também está avaliada como “Criticamente ameaçada” pela IUCN Red List of Threatened Species (Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza). Portanto, seu corte é considerado como um crime ambiental.

Victoria Karvelis, diretora de Bioeconomia da Fundação Florestal
Pró-Araucária
O Programa de Conservação da Araucária (Pró-Araucária), é instituído pela Resolução Semil nº 23/2025 e operacionalizado pela Fundação Florestal. Ele busca articular conservação ecológica, restauração ambiental e fortalecimento da cadeia produtiva do pinhão.
O programa tem várias frentes de atuação. A primeira fase é por meio do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).
A abrangência de atuação é para as Unidades de Conservação da Fundação Florestal e as Zonas de Amortecimento. Também estão inclusas as áreas públicas e privadas de ocorrência atual ou potencial e territórios de povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares.
A inicialização ocorreu com um projeto piloto em Cunha, município avaliado como refúgio da espécie, que depende de ambientes frios e úmidos.
Dos recursos financeiros, R$ 500 mil são destinados ao incentivo de organizações de apoio ao cultivo e colheita, processamento, comercialização e assistência técnica. Já os R$ 2 milhões são direcionados a agricultores familiares e pequenos produtores.
“A meta do programa é chegar a 55 famílias cadastradas e colaborar com o aumento da espécie, com um total de 10 mil novas Araucárias plantadas”, explica Victoria.
No final da apresentação, Jônatas Trindade, destacou a importância da integração entre conservação e geração de renda. “O Pró-Araucária mostra que é possível proteger uma espécie ameaçada e, ao mesmo tempo, fortalecer a economia local, com participação ativa das comunidades”, afirmou.




