Parque Estadual Ilha Anchieta testa ordenamento de visita ao Aquário Natural

Estudos apontaram para a necessidade de limitar o número diário e a quantidade de pessoas ao mesmo tempo no local.
Objetivo é proteger o ambiente e proporcionar melhores experiências aos visitantes

Visando proteger o Aquário Natural do Parque Estadual Ilha Anchieta (PEIA) e os organismos da fauna e flora marinhos presentes no local, a Fundação Florestal está estabelecendo normas para a visitação deste que é um de seus principais atrativos da Unidade de Conservação situada em Ubatuba.  A Portaria Normativa FF/DE – 267/2017 – que dispõe sobre ordenamento de seu acesso e uso – foi validada pelo Conselho Consultivo do parque e publicada no Diário Oficial do dia 22/12, passando a vigorar desde então. A visitação dos demais atrativos do PEIA permanecem acontecendo normalmente.

Entre as medidas, foi estabelecido o limite de 256 visitantes por dia, permitindo o acesso e a utilização simultânea de oito pessoas no máximo, por um período de 15 minutos. Este tempo poderá se estender, caso não haja mais visitantes aguardando. É proibido subir nas rochas, tocar, perseguir e alimentar a fauna, bem como utilizar equipamentos como espaguetes, pranchas, colchões infláveis e nadadeiras.  A portaria orienta ainda a evitar o uso de protetor solar, repelente e hidratantes durante a visita.

Para testar o funcionamento da portaria durante a temporada de verão 2018, serão realizadas atividades de educação ambiental, monitoramento e controle de visitação. Também estão previstas ações de divulgação sobre a importância do controle da visitação no atrativo junto aos guias de turismo, operadores credenciados e clubes náuticos.Este teste proporcionará referências e metodologias para ordenar outras áreas de visitação.

Mínimo impacto

A justificativa para o ordenamento, segundo os técnicos, é de que o excesso de visitação provoca danos à vida marinha. “O aquário natural é um ambiente frágil, devido ao espaço reduzido e à baixa circulação hídrica. Além dos impactos aos organismos, o excesso de visitação e pisoteamento deixam a água turva, inviabilizando a observação de peixes, invertebrados, corais e algas, para fins de educação ambiental, que é o principal objetivo dos visitantes do local. Com esta medida, estamos inovando o ordenamento marinho de um atrativo, para proporcionar uma experiência ainda melhor para o visitante, sem impactos ao meio ambiente.”, explica o diretor regional da Fundação Florestal, Carlos Zacchi.

Capacidade de suporte

Tais impactos foram apontados por diversos estudos técnico-científicos, como o mais recente deles, elaborado em 2017, em que foi analisado o Turismo Náutico na Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte (APAMLN), indicando a capacidade de suporte dos principais atrativos da Ilha Anchieta.  O estudo – elaborado por meio de uma condicionante do licenciamento da Etapa II do Pré Sal – coletou dados durante o mês de janeiro de 2017 e verificou até 480 visitantes/dia no Aquário Natural, sendo aproximadamente 85% banhistas. O mesmo estudo verificou que o número excessivo de visitantes provoca afugentamento de peixes e danos a organismos marinhos, além do registro de visitantes alimentando inadequadamente os peixes.

Para mais informações, acesse a Portaria Normativa na íntegra:  http://fflorestal.sp.gov.br/portaria-normativa-ff-de-no-267-2017/