As bases para a criação do PETAR datam desde o início do século XX, ocasião em que foram iniciados os levantamentos e pesquisas sobre o riquíssimo patrimônio espeleológico existente na região do Vale do Ribeira, resultando na aquisição de 10 grutas pelo Governo do Estado de São Paulo. O parque foi criado pelo Decreto Estadual nº 32.283 de 19 de maio de 1958, com área de 35.772,5 hectares, abrangendo os municípios de Apiaí e Iporanga, O nome Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira (PETAR) só surgiu em novembro de 1960, quando uma Lei Estadual decretou que a área eram terras e de conservação permanente.

Sobre o Parque

O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), criado em 1958, aparece como um dos mais antigos do Estado de São Paulo. Possui 35.772,5 hectares e abrange os municípios de Iporanga e Apiaí. O Parque tem sua área coberta pela densa e exuberante vegetação da Mata Atlântica e integra a Zona Núcleo da Reserva da Biosfera. Considerado como Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade, pois reúne uma das áreas de Mata Atlântica mais preservada do Brasil.

O PETAR faz parte do Mosaico de Unidades de Conservação do Paranapiacaba, composto ainda pelo Parque Estadual Intervales, Parque Estadual Carlos Botelho, Parque Estadual Nascentes do Paranapanema, Estação Ecológica Xitué e Área de Proteção Ambiental Estadual da Serra do Mar.

Devido ao alto nível de preservação da região, o PETAR abriga espécies da Mata Atlântica típicas de matas primárias (vegetação com alto grau de preservação, quase sem intervenção humana, com arvores entre 25 e 30 metros de altura), como canela, cedro e palmito juçara. Esta última, considerada espécie-chave na cadeia alimentar do bioma, sofre ameaça de extinção devido à extração e comercialização ilegal.

Resultante ainda da continuidade ecológica, o PETAR apresenta espécies de animais de amplo território, como a onça-pintada e o monocarvoeiro. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), o PETAR protege um dos cinco ecossistemas mais importantes do mundo.

O Parque ainda abrange uma das províncias espeleológicas mais importantes do Brasil, com mais de 300 cavernas cadastradas pela Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). A formação das cavernas na região ocorre a partir das águas pluviais saturadas de ácido carbônico, provenientes dos solos ricos e férteis da mata preservada, que penetram nas fissuras rochosas e desgastam o calcário presente no solo da região, abrindo dutos e galerias, e assim originando as cavidades naturais, as cavernas calcárias. 

Sobre a Região

As regiões do Vale do Ribeira e litoral de São Paulo abrigam as mais extensas áreas contínuas de remanescentes de Mata Atlântica no Brasil e, consequentemente, abrigam as maiores concentrações de unidades de conservação da Mata Atlântica, protegendo as florestas, as cavernas e seus habitantes.

Outra das características que se destacam na região do Vale do Ribeira é a ocorrência de cavernas de origem calcária. Na porção mais a nordeste do Estado do Paraná e sudoeste do Estado de São Paulo, incluindo-se a Serra de Paranapiacaba, ocorrem faixas de rochas carbonáticas que permitem o surgimento de redes de drenagem subterrâneas, formando as mais de 400 cavernas conhecidas na região.

O patrimônio cultural histórico, arquitetônico, arqueológico e imaterial é também riquíssimo. Há sítios arqueológicos, como os sambaquis. Na região há também bens arquitetônicos tombados e bastante preservados.

As comunidades que habitam na região são os remanescentes de quilombos, os caipiras e, principalmente, os caiçaras, que guardam as características centenárias da colonização. Eles são descendentes de índios, portugueses e africanos e que possuem culturas e tecnologias que derivam dessas ascendências.