Sobre a Área de Proteção Ambiental

A APA Corumbataí, Botucatu e Tejupá – perímetro Botucatu foi criada pelo Decreto Estadual nº 20.960 em 08 de junho de 1983, com o objetivo de proteger os seguintes atributos: as cuestas, os morros testemunhos, a flora e fauna regional, as nascentes, rios e córregos, o Sistema Aquífero Guarani e o patrimônio cultural, histórico e arqueológico da região. A unidade de Conservação abrange parcialmente o território de Avaré, Angatuba, Botucatu, Itatinga, Bofete, São Manuel, Guareí, Pardinho e Torre de Pedra.

A APA Botucatu representa bem a diversidade de relevo do estado de São Paulo, pois seu território abrange a depressão periférica paulista, as cuestas arenito- basálticas e o planalto ocidental. É uma unidade de Conservação de Uso Sustentável, com domínio privado e com um regramento específico quanto ao uso e ocupação de solo, de forma a assegurar a proteção dos atributos que motivaram sua criação.

No reverso das cuestas, próximo às encostas, nascem muitos rios que drenam para a depressão periférica. Defronte ao seu alinhamento, são encontrados inúmeros “morros testemunhos”, como a Torre de Pedra, o Morro do Bofete e as Três Pedras. Esses morros que se destacam nas paisagens são chamados de “testemunhos” pois indicam como era o relevo há milhões de anos. As Cuestas e morros testemunhos formam um conjunto com enorme valor paisagístico e ambiental.

Outro importante atributo da APA Botucatu é o Sistema Aquífero Guarani (SAG), que se estende por toda a unidade de conservação. O SAG, devido às suas excepcionais características hidrogeológicas, constitui-se na principal unidade aquífera da área e do Estado de São Paulo e é reconhecidamente uma reserva de água subterrânea estratégica de importância internacional. No território da Unidade de Conservação grande parte das rochas aquíferas é aflorante, o que o torna o aquífero muito vulnerável à contaminação, nessa região.

No território da APA Botucatu ocorrem os biomas da Mata Atlântica e Cerrado, com as fitofisionomias: Floresta Estacional Semidecidual, Savana Arborizada (cerrado “stricto sensu”), Savana Florestada (cerradão), Campos Úmidos e áreas de várzeas. A vegetação natural encontra-se em bom estado de conservação, tendo sido mapeados no Plano de Manejo 37 grandes fragmentos de cerrado e mata atlântica maiores do que 100 hectares, afora outros fragmentos de menor tamanho.

A fauna silvestre possui 424 espécies de vertebrados catalogados, dos quais 66 são mamíferos, 244 são aves, 58 são anfíbios e 56 são répteis. Essa grande riqueza de espécies, com várias espécies endêmicas e outras ameaçadas de extinção, decorre principalmente da localização da unidade em uma região de transição entre cerrado e mata atlântica.
A APA possui inúmeros sítios arqueológicos, dentre os quais o Abrigo Sarandí, no município de Guareí, considerado um dos mais importantes do Estado de São Paulo.
Possui ainda um Plano de Manejo, elaborado de forma amplamente participativa, com um robusto diagnóstico do meio físico, biótico e social, aprovado pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA) em 2014.

Por estarem inseridos numa Unidade de Conservação, os municípios da APA Botucatu recebem mensalmente do governo paulista um valor referente ao ICMS Ecológico, que funciona como um mecanismo de compensação pelas restrições à expansão de atividades econômicas que importem em degradação ambiental, de forma a estimulá-los a investir na gestão e no aumento dessas áreas naturais bem como em atividades voltadas à preservação ambiental.